A regulamentação do design gráfico

Eu gosto muito da idéia da regulamentação por vários motivos, entre eles a eliminação de boa parte dos paraquedistas, que oferecem “A LOGO” por 200 paus ou na prateleira para escolher. Pode parecer bobagem e que não são concorrentes diretos do design de qualidade, mas se trata de um ato irresponsável e infestam e desvalorizam o mercado. Hoje, web designer é quase quitandeiro, tem em todo lugar o cidadão precisa ser apenas um nerd de programação, muitas vezes nem do colegial saiu ainda e já abre uma “firma de design”.
Que fique claro que não acredito que façam por mal de forma alguma, e isso se trata apenas de falta de informação, no caso dos muito jovens.

Existem sites onde o cliente posta um “briefing” e rola uma espécie de leilão de marcas onde vários designers criam uma marca ou outro projeto sem conhecer o cliente, suas metas, sem colher um briefing adequado, e claro somente um designer recebe pelo serviço e o restante um “muito obrigado”.

Existem também os sites de “identidade visual de prateleira”. Você vai lá e fica clicando no que quer até sair sua “identidade visual”, na minha opinião uma tremenda irresponsabilidade com clientes, designers que investem em conhecimento e tecnologia durante anos ou décadas, e com o mercado de uma forma geral.
Isso é muito ruim também para a imagem e auto-estima da nossa atividade.

A regulamentação também promete benefícios a que teríamos direito, parcerias em Educação etc., desenvolvimento e maior aceitação no mercado principalmente médias e pequenas empresas.

Porém, acredito que não basta.
Há muitos médicos, psicólogos e advogados picaretas que colocaram na gaveta seu compromisso com a ética assumido ao receberem o diploma.
É preciso haver um conselho de ética e qualidade muito mais atuante, um selo, uma espécie de “ISO do design” administrado por uma turma muito séria, imparcial e com muito conhecimento técnico, e que esteja direcionada para o nível de qualidade e ética na atividade e nas relações.

Minha preocupação é que, após a regulamentação, uma infinidade de “desainers” irão focar em cumprir exigências e na prática atuar mais ou menos da mesma forma, a essência do exercício de suas atividades não mudará.

Na verdade, em ordem de importância, eu colocaria a criação deste “selo de qualidade”, com um conselho bastante atuante na retaguarda, como prioridade e que poderia estar atrelado ou mesmo dentro da ADG. Acredito que dessa forma se comece a construir um nível de consciência muito maior por parte do indivíduo que ingresse na área, acredito que o resultado é mais sólido do que APENAS a obrigação de cumprir exigências da regulamentação que acredito ser também necessária.

Espero ter colaborado com esta vasta e muito antiga discussão.
Abraços

 

Veja outras interessantes colocações sobre o assunto:
http://paulooliveira.wordpress.com/2013/02/17/mitos-contra-a-regulamentacao/

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